Charles desce da lotação cabisbaixo e segue lentamente caminhando com o mesmo ar, subindo a ladeira que se inclina ao topo do Morumbi, bairro onde mora com a família.
Chega em casa ofegante, respirando pesado. Com manchas de suor sobre a camisa de cor acinzentada.
- O cigarro vai matar o senhor, seu Carlos! Acabei de fazer um suco de manga e tem café fresco, aceita qual? - Diz a empregada, Nilza, com um olhar mais de pena do que de preocupação. Enquanto recolhe os sapatos que Charles, ou melhor: Carlos, tinha tirado ao entrar em sua casa.
- A vida é mais perigosa que a morte, Nilza. Traga os dois, em dois minutos, afinal o suco me refresca enquanto o café me acorda para ver. - Responde o matador, já pegando o controle e ligando a televisão no telejornal local, a noticiar: - Carro do Governador de São Paulo explode hoje pela tarde, ao entrar no Palácio dos Bandeirantes, matando o Governador e sua esposa. O motorista, que no momento da explosão trancava a porta da garagem, sobreviveu com leves queimaduras. Foi encontrado um detonador, possivelmente acionado com sensor de movimento fixado no portão por onde só entrava o veículo.
- O senhor já sabia, seu Carlos? - Pergunta a empregada, atônita mais com a dúvida do que com a notícia. - Sim, fui eu que fiz, Nilza, e você também.
- Ora deixe de brincadeira seu Carlos! Eu votei no homem. Tudo quanto é jornal só fala disso, até o papagaio da vizinha fica repetindo: - Mataram o Governador! Mataram o Governador! - Responde Nilza, já indo buscar o suco e o café, pronta para rir de uma possível piada de Charles, quer dizer: do Carlos: - Defunto não ganha eleição, Nilza, como diz meu patrão.
- O senhor agora tem patrão?... - Retruca a empregada, já de dentro da cozinha, meio que sem querer a resposta que já sabe: Carlos é dono de uma indústria que faz peças para veículos novos, não tem patrão. Charles tem, ele mata pessoas.
Chega em casa ofegante, respirando pesado. Com manchas de suor sobre a camisa de cor acinzentada.
- O cigarro vai matar o senhor, seu Carlos! Acabei de fazer um suco de manga e tem café fresco, aceita qual? - Diz a empregada, Nilza, com um olhar mais de pena do que de preocupação. Enquanto recolhe os sapatos que Charles, ou melhor: Carlos, tinha tirado ao entrar em sua casa.
- A vida é mais perigosa que a morte, Nilza. Traga os dois, em dois minutos, afinal o suco me refresca enquanto o café me acorda para ver. - Responde o matador, já pegando o controle e ligando a televisão no telejornal local, a noticiar: - Carro do Governador de São Paulo explode hoje pela tarde, ao entrar no Palácio dos Bandeirantes, matando o Governador e sua esposa. O motorista, que no momento da explosão trancava a porta da garagem, sobreviveu com leves queimaduras. Foi encontrado um detonador, possivelmente acionado com sensor de movimento fixado no portão por onde só entrava o veículo.
- O senhor já sabia, seu Carlos? - Pergunta a empregada, atônita mais com a dúvida do que com a notícia. - Sim, fui eu que fiz, Nilza, e você também.
- Ora deixe de brincadeira seu Carlos! Eu votei no homem. Tudo quanto é jornal só fala disso, até o papagaio da vizinha fica repetindo: - Mataram o Governador! Mataram o Governador! - Responde Nilza, já indo buscar o suco e o café, pronta para rir de uma possível piada de Charles, quer dizer: do Carlos: - Defunto não ganha eleição, Nilza, como diz meu patrão.
- O senhor agora tem patrão?... - Retruca a empregada, já de dentro da cozinha, meio que sem querer a resposta que já sabe: Carlos é dono de uma indústria que faz peças para veículos novos, não tem patrão. Charles tem, ele mata pessoas.













