quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Serviço Público 2 - Serviço Feito

Charles desce da lotação cabisbaixo e segue lentamente caminhando com o mesmo ar, subindo a ladeira que se inclina ao topo do Morumbi, bairro onde mora com a família.
    Chega em casa ofegante, respirando pesado. Com manchas de suor sobre a camisa de cor acinzentada.
    - O cigarro vai matar o senhor, seu Carlos! Acabei de fazer um suco de manga e tem café fresco, aceita qual? - Diz a empregada, Nilza, com um olhar mais de pena do que de preocupação. Enquanto recolhe os sapatos que Charles, ou melhor: Carlos, tinha tirado ao entrar em sua casa.
    - A vida é mais perigosa que a morte, Nilza. Traga os dois, em dois minutos, afinal o suco me refresca enquanto o café me acorda para ver. - Responde o matador, já pegando o controle e ligando a televisão no telejornal local, a noticiar: - Carro do Governador de São Paulo explode hoje pela tarde, ao entrar no Palácio dos Bandeirantes, matando o Governador e sua esposa. O motorista, que no momento da explosão trancava a porta da garagem, sobreviveu com leves queimaduras. Foi encontrado um detonador,  possivelmente acionado com sensor de movimento fixado no portão por onde só entrava o veículo.
    - O senhor já sabia, seu Carlos? - Pergunta a empregada, atônita mais com a dúvida do que com a notícia. - Sim, fui eu que fiz, Nilza, e você também.
    - Ora deixe de brincadeira seu Carlos! Eu votei no homem. Tudo quanto é jornal só fala disso, até o papagaio da vizinha fica repetindo: - Mataram o Governador! Mataram o Governador! - Responde Nilza, já indo buscar o suco e o café, pronta para rir de uma possível piada de Charles, quer dizer: do Carlos: - Defunto não ganha eleição, Nilza, como diz meu patrão.
    - O senhor agora tem patrão?... - Retruca a empregada, já de dentro da cozinha, meio que sem querer a resposta que já sabe: Carlos é dono de uma indústria que faz peças para veículos novos, não tem patrão. Charles tem, ele mata pessoas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Policial agredindo estudante da USP

A briguinha entre alunos maconheiros da USP e policiais militares já passou. Só queria que você visse o outro lado da minha opinião de que os alunos que estão na USP como estilo de vida (pois só repetem de ano e nunca saem da instituição) tem mais é que deixar de fumar maconha lá dentro e ir estudar.
Sim, eu posso opinar e sei do que estou falando quando digo que só fez protesto contra a polícia aqueles que queriam o seu "bagulho" garantido sem a presença dos PMs.
Estudei lá e participei da ocupação da Reitoria (se lembra?) e várias foram as situações que ou o PSTU tomava conta ou a maconha.

Então, dê uma olhadinha no outro lado da minha opinião:

domingo, 15 de janeiro de 2012

Tudo bem, eu fundo o Timbrismo de novo!

Timbrismo, Poesia de Timbre, ou Poesia Timbrista ou Signifista é uma forma poética que centraliza o significado da(as) mensagem(ens) do poema, considerando a construção dos versos (linhas) e das estâncias (estrofes) como fator determinante da expressão poética, de forma que não se valorize o rigor de métrica de palavras e nem a tonalidade das rimas, mas sim o seu significado.

Diferente do Verso Livre, o Timbrista valoriza a distribuição das palavras ao longo do verso, mas não mede ou rima sílabas, como se a colocação de cada palavra em cada lugar no poema tivesse um significado próprio, com efeito isolado, a compor toda a obra ao mesmo tempo que o contexto e o apelo fique explícito.

Por prezar pela precisão de palavras, o Poema Timbre não pode ser traduzido para outros idiomas sem que se perca acentuadamente o valor de significação, e deve ser analisado levando-se em conta essencialmente o compositor, que desenvolve suas próprias formas e significações.

Silogismo ou Equação Simétrica de Antíteses é quando, diferentemente do refrão com um verso completo, no poema surge a mesma palavra em todas as estrofes e até na mesma linha correspondente, mas com significados opostos ou contraditórios.


Exemplo:

Não vou “deixar” a linha
de “consciência” da ciência torta
explicar meu suicídio em tristeza.

Vou “deixar” a morte em delicadeza,
e fazer da “consciência” da vida
que tive, um suicídio fosco, inexplicável.(poema meu mesmo, claro rs)


Guias-chave são palavras espalhadas pelos versos que dão sentido a cada estrofe e a todo poema. Ainda utilizando o exemplo anterior:

Não vou deixar a “linha”
de consciência da ciência “torta”
explicar meu suicídio em "tristeza".

Vou deixar a morte em “delicadeza,”
e fazer da consciência da “vida”
que tive, um suicídio fosco, “inexplicável”.

Na Poesia Signifista, as palavras tem uma colocação totalmente direcionada a dar ênfase à explicação do poema, de modo que as variações de quantidade entre um verso e outro – e também de quantidade de versos em cada estrofe – seja resumida pela “forma estética da ideia do poema” e não por sua forma estética gráfico-visual.

O Poeta Timbrista explicita de forma categórica os significados de seus poemas, ao desenvolver um critério próprio de forma e versificação.

Características relevantes do Timbrismo:

- Simplicidade na composição (poucos enigmas e metáforas)
- Versos heterogêneos
- Palavras-chave e silogismo entre os versos
- Coloquialismo
- Precisão (cada palavra tem significado único).

Capa de Serviço Público

Serviço Público: 1 - O Primeiro Serviço

Charles está sentado na poltrona de uma sala ampla e fechada, cheia de quadros, prêmios, e porta-retratos. Do outro lado uma mesa larga, destas de escritório, com gavetas e papéis, porta-canetas e uma plaqueta gravada com algumas letras de título.
Olha direta e fixamente a um grande retrato no centro, à foto de busto de um homem com uma bandeira hasteada sobre o fundo. Dentre alguns minutos nesta posição eis que a porta da sala se abre e por ela passa o mesmo homem do retrato, lentamente, com o olhar sobre o chão.
O que está sentado ali permanece, ainda fixando o retrato na parede, enquanto o que entra faz um ar alegremente falso, num sorriso tão amarelo quanto uma das cores da bandeira hasteada ao fundo daquele retrato.
- Charles? Devo presumir? - Diz um homem engravatado, polido dos gestos ao sorriso.
- Deve ser. Sente-se. - Responde o homem, ainda olhando ao retrato enquanto o outro, à sua frente, passa e senta-se do outro lado da mesa.
O que olhava o retrato abaixa a cabeça e de um dos bolsos retira um cigarro, quando, indo acender, o outro homem lhe interrompe: - A lei diz que aqui dentro não se fuma. - O homem acende assim mesmo, sem hesitar, e com o cigarro entre os dentes, já olhando nos olhos do outro, responde: - O senhor é a lei aqui, senhor Presidente. Diga-me, quem quer que eu te mate? Você, ou ainda consegue se aguentar mais quatro anos?
O Presidente respira fundo e abaixa o olhar. Só levanta quando responde: - É engraçado, mas, falando sério, preciso que alguém morra por nosso país. O matador, tirando duas armas da cintura e pondo-as sobre a mesa, responde, dentre o susto de seu interlocutor: - Não é engraçado, e eu não sou patriota.
- Eu também não, afinal, o que é a pátria? - Responde o Presidente, meio que fazendo piada, enquanto o outro homem, ainda sério e, dando um trago que queimou meio cigarro, exclama: - Alguém que o Senhor já tenha matado, quando tirou essa foto; alguém que inventou essas fotos e essa sala, essas letras nesta plaqueta que diz Presidente, mas sem conversa fiada, me passe o serviço, por favor, seu cigarro está já pela metade.
- Quanto tempo dura um cigarro? - Pergunta levemente o Presidente, ainda tentando aliviar a tensão da situação. - O senhor verá quando acabar. O serviço? - Rebate o homem, dando mais um trago, o qual foi seguido pelos olhos de pressa do Presidente, que disparou a falar:
- Lutei minha vida inteira por este país. Era apenas um analfabeto quando comecei no sindicato; perdi um dedo trabalhando; perdi noites com metalúrgicos, em greves, e por causa delas perdi minha primeira mulher e meu filho. Depois de tanta derrota e vexame em rede nacional de televisão, fiz a barba e cheguei à Presidência da República. - Charles interrompe: - Abaixe a voz, e sem cuspir. - O Presidente respira fundo, e bem baixinho, conclui: - Preciso que você mate o meu adversário.
Charles sorri, sarcástico, só com um dos cantos da boca: - Eu sei, mas esses são seus últimos quatro anos, não? Se não poderá se reeleger, não terá adversários... - Termina a frase vagamente, já buscando na memória alguém que pudesse tomar o posto daquele verme ali no grande retrato central.
O Presidente respira mais uma vez, quase xingando de burro o matador, e explicando como se ensinasse a uma criança: - Tenho minha candidata. Não serei eu nesse quadro aí que você tanto admira, mas ela me obedecerá. Vai fazer o serviço?
- Eu admiro mesmo o senhor. É um herói para todo o país. - Ainda com sarcasmo, quase imperceptível: - Assim como herói será seu ex-possível adversário. Será um acidente, e ele não morrerá pelo país, por motivos óbvios.
- Motivos óbvios? - Pergunta o Presidente, agora sim como uma criança curiosa. - O senhor não quer sua candidata perdendo para alguém que o futuro defunto apoia, não é mesmo? - Esclarece Charles, dizendo como se ensinasse a uma criança, e apagando o cigarro, a se levantar.
- Não, não quero mesmo. Defuntos não ganham eleições. Diz o Presidente, tentando novamente fazer a piada do dia. Charles termina de levantar e vira-se à porta. De costas responde: - Políticos honestos também não. Abra uma licitação para novos veículos oficiais, quero trinta por cento do valor de cada um dos carros de toda sua folha de pagamento.
- Trocar os carros de toda a minha base aliada? Sem explicação alguma? Isso vai ser difícil... - Retruca o Presidente, assustado, enquanto Charles abre a porta e vira-se para responder: - O senhor não está sozinho nessa. Se alguém de fora perguntar, diga que é para superfaturar e pagar um matador de aluguel, tudo bem? Serviço aceito. Tenha um bom dia senhor Presidente.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Apresentando Thelonious Monk

Eu não sei se você conhece, mas mesmo assim vale a pena apresentar Thelonious Monk. Seja feliz!

Hiago Rodrigues na TV Cultura



Foi num dia ensolarado, na no Parque da Juventude. O pessoal do Programa Login foi muito gente fina. Curti demais. Foi um pouco dificil conversar com a câmera em vez de falar com uma pessoa, mas no fim de tudo certo. Né?

sábado, 7 de janeiro de 2012

As pessoas estão morrendo

Gostaria de prestar homenagem a um velho amigo meu morto.

Sabe, a HP faz as melhores impressoras domésticas e de escritórios. Cobram caro nas impressoras e mais caro nos cartuchos, toners e consertos.
Imprimir meu discurso hoje no seminário da Hímpeto foi triste por saber que cada folha impressa custou 0,08 centavos.



E, ainda homenageando um velho amigo meu, que morreu no ano passado: me pergunto se um dia vamos deixar de imprimir assim como nossos antepassados deixaram de escrever em cavernas.


Sabe, a Epson tem a melhor impressão colorida, mas dói no bolso pagar 20,00 por um cartucho que imprime 10 folhas. E de onde vem essa tinta? Da China, onde testes de saúde para quem respira o valor das impressoras são mais seguros do que usar o Facebook naquele país.


E mesmo assim: as pessoas estão morrendo. Esse meu amigo inventou uma nova letra i e saber que ele não vai voltar e que nem deixou um substituto me deixa um vazio de resposabilidade que eu não deveria ter (não deveríamos ter).

Steve morreu, e assim como ele muitos se foram e o papel ainda existe, mesmo com seus i's de ipad, iphone e tal...

E ainda tem uns idiotas que ainda dizem: "-Eu tenho esses i's todos, mas não largo o velho papel". Pra esses eu desejo a morte.

Seja feliz!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Paulo Ghiraldelli Jr. um filósofo feliz

Hoje em dia não existem mais filósofos. Professores desiludidos sim. Garçons letrados, bêbados também. Mas não o filósofo tal qual estudamos na História da Filosofia.
Talvez porque os tempos são outros tempos e o tempo atual pede e forma outro filósofo. Talvez porque a filosofia ficou chata e virou papo de sono entre tantas contas, e cinema, e pegação, e novela, e facebook, ipod, iphone, ipad, idroga.

Conheci hoje um filósofo feliz. E não interessa se é professor (porque na verdade hoje em dia todos os formados em humanidades são "professores-pra-pagar-o-pão"). E não interessa se é bêbado ou se já foi garçom (o que eu de fato não sei). O que interessa é que no discurso dele há felicidade pelo que a Filosofia lhe trouxe. E não precisou estar pessoalmente no Programa do Jô para perceber. Confira:




Talvez eu deveria ter me formado em Filosofia, mesmo com medo de morrer de tédio.
Seja feliz!