Então é Natal... e daí?

Minha mãe se embelezou toda, fez cabelo, pé, mão, fez tudo... e passou aquele perfume que custa cem reais por gota e que ela só passa quando quer arrancar algum dinheiro a mais do meu padrastro.

Minha ex-noiva comprou tudo que não presta pra nada: cortina nova, um peru enorme inchado de anabolizante, um monte de fruta fresca e outro monte de fruta seca; compro vela com aroma de macumba, e uma toalha de mesa vermelha de veludo, e aquele CD com aquelas musiquinhas chatas tocadas na harpa, de natal, sabe?

Domingo passado, um "escritor" disse no Faustão que "o Natal é uma festa de Família" e que "para os Judeus o Natal não existe porque o Messias deles ainda não veio"... até tweetei isso, gente, e fiz um poema que começa sempre com o verso: "todos são católicos"... mas quem sou eu além de um idiota niilista com uma existencia vazia para querer criticar essa gente idiota que faz um alvoroço todo por causa do Natal, né? afinal: tem que ter sempre uma festa - e sempre tem que ter um motivo para a festa, senão o povo volta a se matar  e passa o ano todo sem se dar um abraço.

Tá certo, mesmo que Jesus tenha nascido em qualquer outro dia que não 25 de dezembro, e mesmo que todo mundo fosse fazer "qualquer outra coisa boa para a humanidade" como doar comida ou roupas, ou ficar relembrando o que Jesus ensinou.. bem mesmo que esse povo todo não enchesse a cara de champanhe, pinga ou uísque, e a pança de perneil ou peru, mesmo assim tudo seria hipocrisia.

Sei lá... hipocriasia pura! Idiotice festejar o nascimento de alguém que já está morto, sendo que tudo o que ele nos ensinou é um ideal a ser cumprido e reprimido pela culpa de nunca podermos fazer e cumprir na regra... e até esse "tudo" ser objeto de manipulação das igrejas, dos papas e dos profetas... com seus... pecados.

Alías... que se danem todos!.. ninguem está aqui para me dar um abraço e por um segundo só eu pensei que talvez queria estar no meio daquela gente tentando preencher este vazio que está aqui dentro - mas sei que nada o preencherá, vazio é vazio mesmo, não é algo que estava cheio e foi esvaziado, mas sim algo vazio que tem que ser vazio - sabe, a solidão de existência individual, a dor de ser só como único e independente.

pra que ficar tentando preencher esse vazio com unha e cabelo feito?, ou com uma pança cheia de carne, e a cabeça cheia de cachaça? droga, gente!!! a gente se odeia, engana e compete por nossos sonhos mesmo, não adianta tentar fazer quem nem a novela.

Feliz Natal pra você e pra todo mundo que me escreveu os mais de 400 emails desejando a mesma coisa que nem sabe ao certo o que significa.

a tal da SSE

Essa semana um amigo meu jornalista me disse que tá no ar um site daquela Sociedade Secreta de Escritores que foi acusada de fazer conspirações de padrão ideológico de publicação, como se todos os escritores se reunissem para escrever só sobre algum tema interrelacionado, ou tramassem algo de nível intelectual-político-filosófico - ou até tramassem da morte de escritores que vão contra alguns princípios desta quase... seita.

Essa semana eu vi que tudo pode ser possível quando está dentro da internet - inclusive acreditar que uma Sociedade Secreta tem tanto poder intelectual mesmo sendo do Brasil, um país onde tudo é besteira exagerada quando se trata da intelectualidade.

Sempre zombei das Academiscências e dos escritores fedidos a naftalina e não podia deixar de tirar minha casquinha da SSE, que embora pareça e tenha fama de poderosa e séria - dado que a proposta é, como diz o site: a cooperação incondicional -, algo me parece como sendo coisa de escritor mesmo: história pra boi dormir.

Dizem que entrou um novo... Ministro, agora de São Paulo, e que tudo indica que será diferente, mas vejamos, né?

Eu e a Wikipédia

Desde que inventaam de fazer um artigo biográfico sobre mim na Wikipédia eu ando meio que desapontado com essa gente toda do conhecimento colaborativo.

De acordo com os edditores da wikipédia essa foi minha vida:


Hiago Rodrigues, mais conhecido como Hiago Rodrigues Reis de Queirós (São Paulo, 13 de outubro de 1989) é um escritor brasileiro. A maioria das suas obras foi impressa através da editora Clube de Autores, que possibilita a publicação gratuita de livros.

De acordo com biografia disponibilizada em espaço cedido pelo site da editora de publicação "sob demanda" Protexto[1] o escritor é de origem pobre, nasceu no bairro da Lapa, o primeiro de seis filhos de Elizabete Rodrigues, tendo sido enviado aos seis anos para Ponta Grossa, no interior do Paraná, para morar com os tios. Foi nesse período de sua vida que começou a compor seus primeiros poemas.[2]
De acordo com biografia disponibilizada em espaço cedido pelo site da editora de publicação "sob demanda" Protexto, aos doze anos Hiago volta para junto da mãe, que rasga seu primeiro romance, Sangue Espirrado, sobre a história de um homicida psicopata no corredor da morte, por seu conteúdo ser reprovável à moral da família. Hiago segue escrevendo escondido da mãe e vendendo seus livros por conta própria aos amigos e em livrarias locais com o pseudônimo MAD até 2004, quando volta a assumir a sua vocação perante a família.[2]
De acordo com biografia disponibilizada em espaço cedido pelo site da editora de publicação "sob demanda" Protexto, em 2006 volta para a casa dos tios no Paraná, concluindo nessa altura o romance Hotel da Miséria Humana, pelo qual foi convidado para uma palestra no dia 20 de março desse ano, que reúniu três turmas de Teoria da literatura de três diferentes faculdades do Paraná, onde falou sobre a forma com qual escrevia seus romances e leu a todos presentes o seu Manifesto Realtragista.[2] Foi durante esse ano que foi descoberto que Hiago sofre de epilepsia, quando, no meio de um discurso, teve um ataque.
De acordo com biografia disponibilizada em espaço cedido pelo site da editora de publicação "sob demanda" Protexto, em 2008 o autor regressou a São Paulo, onde vive atualmente.[2]

Até aí tudo bem de ser direto e imparcial, mas me rotular de escritor amador só porque meus livros estão em sua maioria no Clube de Autores já é palhaçada. Escritor amador é quem não tem obras em formato de livro (ou melhor livros publicados, vai...)

Burrice dos inteligentes!... primeiro porque com meus livros estando no Clube eu nem envio originais às grandes editoras, que fariam comigo um contrato de 10% sobre o preço de capa (o que me daria uns R$ 3,00 por livro e seria pago a cada 6 meses), fazendo com que minha renda mensal com literatura fosse cerca de 400 reais, caso eu vendesse dignamente bem.

O pessoal da Wikipédia também esquece que tenho o site da Turma, onde os leitores podem comprar meus livros com desconto de até 40% e se você quiser mesmo saber: eu ganho mais vendendo livros destas formas do que se publicasse com a Companhia das Letras, sem dúvida alguma.

Sou um moleque de 20 anos sim; tenho 21 livros publicados, sendo que 3 estão traduzidos para o Inglês e 1 para o Espanhol, e também vendem muito bem e eu recebo em dólar ou Euro e peço transferência pela Western Union.
Sou amador ainda para eles e talvez até para vocês.... e isso sem contar nas faltas de prêmios literários (que eu não me inscrevo porque não sou macaco de circo de zé-ninguém nenhum). 

Enfim: os editores da Wiki, embora muito respeitáveis em seus artigos, tem que adotar outros parâmetros (sugiro que só façam artigos dos mortos) para que não haja mais injustiças como no meu caso.

Ao final: peço aos leitores que não fiquem tentando melhorar aquela página lá na Wiki... deixem a porcaria que está mesmo. Uma hora ou outra eles mudam.

Encontro com Buzo

... poxa, tava numa correira: tinha que ir pro poupa-tempo da Sé tirar uns documentos da Hímpeto e registrá-los na Junta Comercial, quando trombei com o Alessandro Buzo, sabe? aquele cara legal do programa Buzão, sabe? aquele que escreve bem pra caramba, sabe? aquele que faz o Encontro com o Autor, e que criou o Suburbano Convicto (q depois o D2 colocou numa das letras do Planet Hemp)... sabe, o Buzo?

Encontrei ele no metrô Marechal Deodoro... ia ele procurando a R. Traipú.

Dei um salve básico porque tava com muita pressa, mas depois lembrei que tava com um exemplar do Depoimentos da Solidão na pasta e voltei pra dar pro cara, que muito admiro...

... sério! pouca gente sabe que acompanho o Buzo faz tempo já... (quanto? acho que há uns 3 anos...) desde que cheguei em São Paulo...

Quando eu tava no Paraná, li numa edição da Época sobre ele, o Ferréz e o Vaz, e tendo já me encontrado com os últimos dois (ao Ferréz dei o Uma Carta Para João, no ano passado).. faltava só o Alessandro.

... faltou só tirar a foto.. heheh a pressa não deixou eu lembrar.

Anel da Solidão


"Viestes sozinho, e sozinho voltarás".

Escrito em Aramaico, meu anel de compromisso comigo mesmo.

Versando à agua de são paulo

depois de escrever na camisa...criei vergonha na cara: comprei uma prancheta e um bloco de papel... agora voltei a escrever meus poemas diarimente, com média de 2 a 3 por sentada.... passo o dia inteiro sentando, aqui e ali.

... especialmente quando o céu desaba em água e não se tem pra onde ir... mergulhei em assuntos que já tinha enclausturado há tempos.
fiz um poema de resposta à pergunta do Drummond: "- Trouxeste a chave?" com destaque para o mote:

" - Os homens? - Bonecos vendidos
por prazer, trocados por sonhos...
num Mercado de Interesses
chamado Exisitência...
Os homens? - Personagens
que se fazem de verdades
e se matam por mentiras...
- Que homens? - Os da televisão?

...essa de criticar a atualidade existencial é uma boa... heheh mas se não fizermos isso a poesia fica sem graça, como se tudo fosse poesia e nada poesia fosse - aliás: só tem poeta hoje que faz isso: muito poema e pouca poesia.. heheh chega de falantar por hoje...

faltam gênios

sabe... estou lendo um livro sobre a Gestal-terapia, e ainda mantenho minha opinião de que foi a psicologia que matou nossos gênios... porque é impossível criar algo original sendo "normal".... simplesmente e, relativamente, impossível...

vieram os filhos do Froid colocando os outros no divã... e vieram dos filhos do Perls colocando os outros nos espelhos de si mesmos... e a genialidade acabou-se... junto com o sofrimento de ser... isso sem contar dos doutores quimicos, que curam a doença dopando seus pacientes... receio que trata-se de fazer o louco ver o que é ser normal e mostrar-lhe que ele irá sofrer menos se imitar tudo o que aquelas pessoas... normais... fazem...

... não sei mais o que dizer, às vezes me confundo sobre quem sou e vou no psicólogo... perguntar se estou sendo normal... e como sempre ele me dá um NÃO enorme... eu pago e volto pra casa sorrindo da vida...

como é bom ser eu ao extremo de mim mesmo.. mesmo que doa e sangre um pouco...

em nome da paz


No dia 21 de novembro, o Movimento Poetas del Mundo do Estado de São Paulo se reuniu na Casa das Rosas, em nome da paz.....

em nome da paz...
... em nome da paz?

Diva Pavesi chamou a atenção do pessoal que estava encontrando pessoas que só se viam pela internet... e que precisavam se abraçar lá fora, porque lá dentro estava um calor imenso... foi lá fora a Embaixadora francesa e, com um tom altíssimo, pediu a atenção....

disse-se objeto da paz.. ou algo do tipo.. sei lá... eu estava correndo de um lado pro outro, cuidando desorganizadamente da organização...

agora, sinceramente:
PAZ é uma palavra muito abstrata pra mim que sou poeta e lido com as palavras no sentido exato do sentimento e das ações que elas provocam... (paz = não atentar contra o próximo)...

vou assumir o tom de poeta experiente e dizer que quem faz poesia com palavras perigosas como esta tá querendo é ser demagogo e falar por todos para vender mais e ter mais aplausos... porque todo mundo quer paz... (e com liberdade também é assim) é como dinheiro, sabe? você tira de um lado e poe em outro.. tira a paz do colega para tê-a para si... ou fui maldoso demais agora?

sou sim Cônsul do Poetas del Mundo, mas fazer discurso pela paz não é comigo... isso eu deixo pros políticos.. enfim: vamos falar de posia, que afinal: não somos poetas? ...

ou políticos?

perca de tempo

...perder tempo ultimamente tem sido minha principal arte... perdendo tempo com emails chatos, com ideias vazias... com empresas e demias coisas chatas que para qualquer pessoa chatamente normal seria crucial... enfim: males necessários... só não sei para quê...

falando em arte: comecei um romance chamado: "A Arte da Morte".. bonito o nome, né? vejamso a trama e o enredo...

... prof. Claudionor A. Ritondale leu Uma Carta Para João e ficou horrorizado com meus erros de português.... respondi: "escrever certo qualquer um que estude letras a vida inteira sabe.. agora: tente estudar uma vida só para escrever coisas legais... se conseguisse, prof. o sr. seria escritor... ou não? "

este livro simplesmente conta uma guerra entre o céu o inferno, fazendo alusão à doutrina Mórmon... brincadeira de provocar onça com vara curta, só isso, poxa vida...

hoje os erros de gramática e as mancadas de ortografia já não ocorrem com frequência.. mas admito que detesto revisar um livro todo de uma vez, por isso agora escrevo e reviso por capítulo... leio e releio o mesmo recho umas 7 vezes, dai salvo o arquivo noa 8ª.

... o mais importante: eu ainda acredito em tudo o que escrevi... mesmo tendo escrito tudo errado, o que escrevi foi e está certo, mesmo que tenha sido escrito de forma incorreta...

... em pensar que ao ler alguns textos de alguns colegas eu quase tenha vontade de me matar ou de bater neles,.. credo, nunca vi tanta maldade com a escrita como ali, naquelas 20 linhizinhas..

Roll Right

Roll Right...

ouvindo essa música, do Rage The Against Machine, não tem escritor que se inspire...

.... comprei uma nova fita para minha Olivetti 66 hoje.. vamos ver se funciona... tanto tempo sem escrever em máquina: coisa de 7 ou 8 anos... e é incrível pensar que eu ainda tenho 20 anos.

Nunca encontrei tantos escritores desconhecidos num só lugar quanto na entrega do Troféu Juca Pato... veja a foto.
.... sei lá.... fui só pra dizer que tinha ido.. e terei essa foto tremida e fosca na hora de ir embora,,,

... e por um instante algo de desanimo em ser escritor me passou pela espinha... sabe? você vê tanta gente velha se dizer escritor não assimila o rosto de ninguém com algum belo texto... e se pergunta a diferença deles para Machado de Assis, de Guimarães Rosa, de Graciliano.... de Knut, de Gorki... afinal: porque eles todos dedicaram-se às letras mas só alguns eu conheço?



"... o gênio é o mais importante. Se você é, o que será não importa" .. foi a frase que me rebateu na mente... e então respirei fundo, ouvi o dicurso da Lygia, "Nostálgico, segundo o Levi" e fui-me embora...

... porque ficar de lenga-lenga e tititi em coquetéis não faz meu tipo: direto e reto é certo....
comigo só eu mesmo.

e como sempre: literatura é pura política... e sem direito a democracia